E por falar do medo
Se tem medo, afunda. Soltar as certezas custa, por isso seguimos com o bastão, com a necessidade de pegar na mão ou simplesmente apegar a nossa ideia do que somos, fomos ou podemos ser. É como se fossemos afogar diante de tanta e necessária improvisação, desculpas e constante mudança de rumo. A única bussola fiável é nossa serenidade em saber que não há telhado para tanta chuva e que dizer sim à vida é aceitar o que nos vem gratuitamente em nosso dia a dia. Sabemos que a rotina mata e reclamamos dos sobressaltos, do imponderável e de nossa necessidade em ter o controle da vida, como se fora possível, como se fora dono de nossa própria vida. Subimos um degrau a mais em nossa natural neurose quando aventuramos a tentar controlar a vida do outro, para distrairmos diante de nossa inseguridade em poder lograr o que quer que seja, um prato de comida ou a troca de nosso avião. Seguimos acreditando que existe algo mais que nossa capacidade em criar nossa própria vida. Com medo.