A história de muitas estórias
Vamos começar comigo, nos meus 18 anos de idade e minha mãe resolve que
vai se separar do meu Pai. Em um dia, conversando com ela sobre o assunto da
separação, ela ainda me conta sobre um tal extraterrestre com quem ela se
comunicou na época em que vivemos na Europa, mas isto é outra história.
Acabou que minha mãe resolveu se separar realmente e abandonou a casa,
meus irmãos e foi morar sozinha. Neste meio tempo, conheceu uma comunidade do
Santo Daime no Rio de Janeiro, aonde frequentou por muitos anos.
Neste tempo eu resolvi conhecer o Santo Daime e saber se minha mãe não
tinha enlouquecido de vez e, pelo que ela me contava das suas experiencias no Santo
Daime, me fez querer ir conhecer. Para mim, o Santo Daime me parecia uma religião
que falava comigo, como eu sempre fui. Por exemplo uma vez fui mandado embora
de um estúdio de gravação aonde fui chamado pelos donos, para trabalhar com eles
lá – pela minha boa performance, produzindo uma banda autoral em que eu estava
tocando na época -, por só falar a verdade. E foi isto que vi na reunião de novos:
todas as pessoas que queriam experimentar o chá do Santo Daime tinham que fazer
uma reunião, aonde você era orientado por membros da religião de como se portar e
quais acontecimentos poderiam vir a se dar com você. Vi que eles falavam a verdade
para a gente e que, uma coisa que me chamou bastante a atenção, é que era você e
o chá, você e Deus, não tinha padre ou pastor para traduzir nada, era a sua vivencia
que determinava para onde você se encaminharia na sessão.
Num destes cultos, ou trabalhos, como são chamados pelos integrantes da
religião, depois de algumas horas sob o efeito do Santo Daime, me veio o que se
chama uma miração, que não é uma alucinação. É um filme em 8K que você assiste
na sua mente, de olhos fechados, se silenciando e é algo ligado a você. Neste dia vi
o mapa das Américas e, bem destacado, os EUA, com um Jesusinho pequenino, em
desenho animado, apontando para Los Angeles. Entendi, naquele momento, que o
Daime estava me propondo ir morar em Los Angeles e, quem sabe, estudar bateria
neste tempo por lá.
Tudo acabou dando certo para eu me mudar para os EUA e ir tentar me colocar
em uma universidade da California. Fui nesta viagem, vendi tudo o que tinha aqui no
Brasil, até a minha bateria, na época e fui com 1100 dólares no bolso para me mudar
para outro Pais.
Cheguei por lá e me hospedei num Hostel em Santa Monica, próximo ao
pacifico. Fui roubado por um brasileiro que me prometeu me alugar um quarto, que
nunca ficou pronto, entre outras coisas. Acabei indo morar com uns meninos, maneira
de dizer, claro, um casal e uma menina, brasileiros e que estavam por lá ilegais e
trabalhando, muito bem obrigado. E em uma noite, depois do jantar, estávamos todos
conversando, sentados em volta da mesa, quando fiz o comentário de que eu
frequentava o Santo Daime; e o que aconteceu para minha surpresa? A menina, que
não era do casal, conhecia algumas pessoas que estavam morando em Los Angeles
e que também frequentavam o Santo Daime e que eu já conhecia, lá do Rio de
Janeiro! Olha só: a ideia de ir para Los Angeles saiu de uma miração e de repente,
eu estou em um outro Pais, aonde o Chá era proibido como uma droga, mas que
estava lá me esperando. Legal essa, não?
Bom, passei um ano, desta vez, nos EUA. Não consegui me colocar em uma
Universidade e tive que trabalhar como muitos brasileiros que ficam por lá ilegais. Na
época, a sociedade americana era organizada para receber certo número de
imigrantes ilegais, era lugar comum, nunca nem cheguei perto da imigração.
Neste ano que vivi em Los Angeles trabalhando, conheci muita gente e vi
diversas correntes religiosas diferentes, muitas orientais. Fiz, um tempo, Tai Chi
Shuan, vi muitas tecnologias novas e pude conhecer a escola que eu acabaria por
estudar, em alguns anos, no futuro.
Um dia um dos meus colegas de apartamento com quem eu sempre saia e
íamos nos divertir juntos, ficamos mais chegados. Nesta época já havia saído da casa
dos meninos e morava com mais três homens: dois dormiam no quarto em camas de
solteiro e eu e este, que acabou ficando mais chegado e por um tempo foi meu
professor na vida também, dividíamos um fulton, cada um com os seus lençóis e etc.
Neste período da minha vida aprendi a dirigir carro, trabalhando num
Estacionamento; tenho que dizer, mas esta foi a minha escola de direção.
Por esta semana, paramos por aqui. Quero agradecer a todos que estão lendo
esta coluna e vejam a continuação dessas aventuras na próxima semana.