Os ETs com Anthero Vilhena
A história de muitas estórias
Parte II
Este meu colega de apartamento disse que queria voltar para o Brasil por terra, vir descendo pela América Central, Amazonia e que queria passar um tempo no Mapiá, vilarejo de onde saiu este Santo Daime que eu havia conhecido no Rio e que a Igreja lá era de um homem casado com uma das filhas do Padrinho Sebastião que, na época, para mim, era sensacional, deveria ser um ser iluminado. Mal sabia eu que esta noção ia acabar mudando bastante no decorrer dos anos. Passado um tempo, num dia tomando café da manhã com esse meu colega, resolvi acompanha-lo e ir nessa viagem com ele, aventura mesmo, sair sem saber quando vai chegar, viver o momento presente, fiquei empolgado. Bom, deu tudo certo de novo e começamos a nossa jornada descendo até o Mapiá pela América Central. Nesta época, também eu, com 20 anos de idade, queria conhecer outras plantas de poder. Já conhecia a Canabis, que eu fumava desde adolescente e sempre quis experimentar chá de cogumelo. Mas não quis, quando, numa festa dos meus primos, tinha chá e eu não quis naquele dia. Tudo tem a sua hora, já havia aprendido isso. Pois bem vimos duas possibilidades de experimentar cogumelos com Shamans no Mexico e, também por lá, tinha o Peiote, cactos que nasce no deserto. Resolvemos conhecer o Peiote e embarcamos numa viagem que foi apresentada a nós dois pelo irmão da namorada que meu colega tinha nos EUA e que nos hospedou na cidade do Mexico. Este ex-cunhado do meu colega nos orientou sobre tudo ligado ao Peiote, até como se dava a alteração de consciência e até possíveis alucinações que poderíamos ter. Nos deu nome de cidade para ir, como comer e aonde ir para podermos ter essa experiencia com o Peiote. Bem, fomos e foi tudo do jeito que o nosso mais novo amigo mexicano havia nos orientado. Fomos parar num vilarejo chamado Wadley saindo de trem de San Luis Potossi no meio do deserto no Mexico. A estória do peiote é longa, como várias outras que eu tenho na bagagem desta viagem. Mas bottom line, como dizem os americanos, eu tive uma alucinação auditiva com o Peiote, entre outras coisas, por exemplo o sol estava muito diferente nesse período do comer aos efeitos do cacto. Compramos água com gás no vilarejo e, no meio dos acontecimentos no deserto, cada vez que eu dava um gole na água eu ouvia uma onda do mar se quebrando ali no meio do deserto. O meu colega comeu mais do que eu, diga-se de passagem, o gosto do Peiote é horrível, ele levou frutas, banana e laranja para comer junto com o cacto como nos foi orientado pelo nosso amigo mexicano. Ele teve, sim, umas alucinações que eu só sei da primeira quando ele se viu em outro lugar, como se toda a paisagem tivesse mudado de uma hora para outra. Decidi, nesse momento, que iriamos voltar, já estava escuro, a noite já havia caído e nós estávamos no meio do deserto longe de Wadley e sem saber ao certo se nos encaminharíamos pela estrada correta. Meu colega veio andando com um pé na estrada de terra e com o outro na parte de cima do barranco, dava uns 50 cm, mais ou menos. Vim à frente, cantando hinos do Daime que, naquela época, estavam fresquinhos na minha memória e fui trazendo nós dois na estrada que, em princípio, devia nos levar até Wadley. Eu só tive certeza que estávamos no caminho certo, quando eu vi a minha pegada, da minha bota, no sentido da ida para dentro do deserto, quer dizer estávamos voltando no mesmo caminho que pegamos para entrar para dentro do deserto. Acabamos voltando no dia seguinte para a cidade do México, meu colega ficou meio transtornado com o que lhe aconteceu com o Peiote. Continuamos a nossa viagem pela América Central e chegamos na Guatemala. Depois, de lá, fomos de avião mesmo para Bogotá na Colômbia, aonde pernoitamos num hotel 5 estrelas, outra dessas histórias desta viagem! Imaginem dois hippies, mochileiros, entrando num hotel 5 estrelas! E de Bogotá seguimos para Manaus. Uma outra parte da viagem, sensacional: passamos muito tempo sobrevoando a floresta amazônica e via como se fosse uma enorme plantação de brócolis japonês. Pude ver que muito da floresta está intocada! Foi uma grande felicidade pra mim, na época! Descemos em Manaus. Bom essa semana paramos por aqui, semana que vem o grand finale aonde eu encontro meu amigo e irmão Joaminon, o extraterrestre confederado.