E por falar no de antes
Para viver o presente não se pode atender ao passado seu e principalmente o do outro. Se o faz, destrói a mágica do encontro e a raríssima vez que acontecerá a tenebrosa e desejada ilusão do amar.
Não dá para ir vivendo e filmando ao mesmo tempo sendo o protagonista, felizmente, porque sendo possível impediria a mais doce das ilusões que um ser pode experimentar
Entre um improviso e outro vamos montando este presépio, este Frankenstein do vivido, acreditando cegamente estar entre anjos, você e a outra pessoa, sem olhar o que se vai escrevendo no quadro em branco. A não ser assim, não haveria a história, não haveria algo para levar à alma, à mente quando chegasse o inverno. Algo que ajudasse a desconstruir um passado quase mágico, e porque não dizer, trágico.
O que antes deveria ignorar é o que hoje pode salvar a incômoda sensação de vazio no presente.
É impossível ler o que está escrito no outro livro, querer saber é o verdadeiro caminho do inferno, basta recorrer a todo mal que há sentido e deixá-los no prato para não sentir mais fome do antes.
É necessário aprender a nadar em outras águas, começar a sentir o cheiro do mar.
Antes, apenas serve para aprender a nadar, para nada aprender.