Um encontro com a criança que ainda vive em você
Quando você pensa em sua infância, qual lembrança aparece primeiro? Talvez venha uma brincadeira, um cheiro, uma música, um colo acolhedor. Talvez surja também uma ausência, uma palavra que doeu ou uma necessidade que ninguém percebeu. O Dia das Crianças costuma voltar nosso olhar para os pequenos que estão ao redor, mas também pode nos conduzir a um encontro delicado com a criança que fomos e que, de alguma forma, continua vivendo dentro de nós.
Essa criança interior guarda sonhos, espontaneidade, curiosidade e alegria. Mas pode guardar também medos e feridas que atravessaram o tempo. Muitas das cobranças que fazemos a nós mesmos nasceram cedo: a necessidade de agradar, o medo de falhar, a sensação de não ser suficiente. Crescemos, assumimos responsabilidades e aprendemos a parecer fortes. Contudo, em certos momentos, ainda reagimos como aquela criança que desejava ser vista, ouvida e protegida.
Olhar para ela não significa permanecer preso ao passado. Significa compreender que nossas atitudes atuais podem ter raízes antigas e escolher uma maneira mais amorosa de cuidar de nós. Talvez a criança que você foi precise ouvir que não teve culpa por tudo o que aconteceu. Talvez precise saber que fez o melhor que podia e que agora existe um adulto capaz de protegê-la, respeitá-la e estabelecer limites. Perdoar essa criança é libertá-la das exigências que nunca deveriam ter sido colocadas sobre seus pequenos ombros.
Reserve alguns minutos para observar uma fotografia de sua infância. Olhe para aquele rosto sem julgamentos. O que você diria a essa criança se pudesse encontrá-la hoje? Diga que ela é importante. Reconheça suas dores, celebre sua coragem e devolva-lhe o direito de brincar, criar e sonhar. Depois, pergunte o que pode trazer de volta à sua vida adulta: talvez mais leveza, riso, curiosidade ou encanto pelas coisas simples. Crescer não deveria significar abandonar quem fomos, mas acolher nossa história com maturidade e carinho. Ao acolher essa criança, não nos tornamos menos adultos. Tornamo-nos adultos mais inteiros, capazes de unir responsabilidade e ternura, firmeza e sensibilidade, maturidade e alegria, e de oferecer a nós mesmos o acolhimento que talvez tenha faltado. Neste mês das crianças, ofereça a si mesmo o presente do reencontro. Abrace a criança que vive em você e permita que ela caminhe ao seu lado, não como uma ferida escondida, mas como uma fonte de sensibilidade, verdade e esperança.
Continue comigo no Instagram @sinararodriguestreinamentos. Lá, seguimos semeando o bem viver. Até nosso próximo encontro, com mais uma semente de inspiração.