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Fraude no mercado de usados: golpe do Renajud cresce e ameaça compradores

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Uma modalidade de fraude vem chamando a atenção de especialistas no setor automotivo: o chamado golpe do Renajud, em que automóveis com bloqueios judiciais registrados são comercializados como se estivessem completamente regulares. O comprador só descobre o problema na hora de transferir o veículo, ou pior, quando ele é apreendido numa abordagem de trânsito.
O Restrições Judiciais Sobre Veículos Automotores (Renajud) é o sistema que interliga o Judiciário ao Detran, permitindo que juízes determinem restrições sobre veículos vinculados a processos trabalhistas, cíveis ou criminais.
Quando um bloqueio é registrado, o carro fica impedido de ser transferido para outro nome ou, em determinados casos, de circular. A fraude acontece quando o vendedor omite essa condição e negocia o bem como se nada houvesse.
Como a fraude é estruturada
O esquema costuma ser montado para transmitir normalidade. O veículo aparece em boas condições visuais e mecânicas, a documentação apresentada parece estar em ordem e o vendedor demonstra segurança durante a negociação. O que não é revelado são as pendências que travam qualquer possibilidade de regularização.
Segundo Sérgio Sousa, diretor de tecnologia da Infocar, empresa com mais de 25 anos de atuação em dados e histórico veicular, a fraude se apoia diretamente na ausência de verificação por parte do comprador.
“Muitas pessoas confiam na aparência do carro ou na boa-fé do vendedor e deixam de validar informações essenciais antes de fechar o negócio”, afirma.
Versões mais sofisticadas do golpe envolvem restrições recentes, ainda não indexadas em consultas simplificadas, documentos desatualizados apresentados propositalmente e intermediários que dificultam rastrear quem efetivamente vendeu o veículo. A pressão para fechar rápido é outro recurso frequente e intencional.
Prejuízo chega depois do pagamento
O momento em que a fraude se torna visível é quase sempre o pior para o comprador: após o dinheiro já ter saído da conta. Tentativas de transferência no Detran são bloqueadas automaticamente quando há restrição judicial ativa, e a partir daí começa uma via crucis legal para tentar reaver o valor pago.
“Quando existe restrição de circulação, o veículo pode ser apreendido numa abordagem. Além do prejuízo financeiro, há um risco patrimonial concreto”, destaca Sousa. O comprador, nesse cenário, acaba respondendo por um bem que não consegue usar, não consegue transferir e não consegue vender.
Sinais de alerta durante a negociação
Alguns comportamentos do vendedor funcionam como indicadores de risco. Resistência em fornecer dados detalhados, dificuldade em apresentar documentos originais e pressa para concluir a transação formam um conjunto que merece atenção redobrada. “Negociações seguras não têm espaço para urgência ou falta de transparência”, reforça o diretor da Infocar.
Preços muito abaixo da tabela de mercado são outro sinal clássico. A oferta atraente funciona como isca e, na maioria dos casos, esconde alguma irregularidade relevante. O comprador precisa entender que, no mercado de usados, uma vantagem muito grande raramente é gratuita.
Como verificar o histórico antes de comprar
A consulta completa ao histórico do veículo, feita apenas com a placa ou o número do chassi, é o recurso mais direto contra esse tipo de fraude. Plataformas especializadas cruzam dados de restrições judiciais, financiamentos em aberto, multas, sinistros e situação administrativa em segundos. Ignorar essa etapa, segundo Sousa, é assumir um risco desnecessário.
Além da consulta digital, formalizar a compra com um contrato detalhado, confirmar a documentação junto ao Detran e dar preferência a negociações presenciais são medidas que aumentam a segurança da transação. Comprar de revendedoras com CNPJ ativo e histórico verificável também reduz a exposição ao risco.

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