A relação entre a espiritualidade as doenças e enfermidades
A espiritualidade está relacionada ao sentimento de transcendência, elevação, sublimidade, atividade religiosa ou mística, e já a religiosidade envolve a tendência natural para sentimentos religiosos e coisas sagradas. Ambas são ímpares para a promoção, prevenção e recuperação da saúde. Elas têm influência na melhora da qualidade de vida, a ponto de reduzir a utilização dos serviços de saúde e contribuir para manutenção de um estilo de vida saudável dos indivíduos mais comprometidos. A espiritualidade tem sua existência anterior ao cristianismo sendo que os pitagóricos, seis séculos antes de Cristo, os vedas, os brahmamistas, os hinduístas e os xindoístas, três mil anos antes de Cristo já lidavam com a espiritualidade.” Há muito tempo que se estuda a relação entre espiritualidade e as doenças de modo geral. Na história da Grécia determinados deuses eram responsáveis pelo surgimento de enfermidades e já na idade média as autoridades religiosas autorizavam os atos dos médicos. Até a década de 1960 aconteceu um distanciamento entre a medicina e a religião / espiritualidade e então novos estudos começaram a demonstrar que os que praticavam a espiritualidade/religião apresentavam melhores evoluções em suas enfermidades e doenças. Observou-se que tanto os que praticavam a religiosidade (seja pela leitura de livros, programas religiosos, orações, rezas ou participação em atividades religiosas) quanto exercer a espiritualidade (busca pessoal para entender questões sobre a vida, seu sentido, relações com o sagrado) pelos estudos apresentavam relação significante e positiva. Uma subdivisão do estudo NHANES III que avaliou quase quinze mil pessoas mostrou menor prevalência de hipertensão arterial naquelas pessoas que exerciam a espiritualidade e religião. Outro estudo com a mesma conclusão com quase quatro mil idosos demonstrou queda da pressão diastólica ou mínima. O stress psicológico, a ansiedade, depressão e complicações pós-operatórias foram menores nos pacientes cardíacos que se submeteram a cirurgia cardíaca e da mesma forma aqueles que são portadores de doenças das artérias coronárias e que possuem um bem-estar espiritual tem menor progressão da doença (Luchetti et al 2011). Estudos mostram que tanto a espiritualidade quanto a religiosidade podem servir de auxílio para lidar com o câncer e influenciam positiva-mente na qualidade de vida. Tanto a espiritualidade quanto a religiosidade apesar de envolverem aspectos dife-rentes podem se complementar. Sa-be-se que 94% dos brasileiros se intitulam como religiosos tornando-o o segundo país mais religioso do mundo. Vários estudos brasileiros e internacionais mostraram que a es-piritualidade e religiosidade contri-buem para os pacientes enfrentarem o sofrimento das enfermidades com papeis importantes cada um deles. Outra pesquisa destacou que a re-ligiosidade está ligada a espirituali-dade, saúde, bem-estar e felicidade, além de intervir na qualidade de vida, auxilia na redução da depressão e ansiedade gerado por doenças. Se-gundo alguns estudos se comprovam os efeitos da oração e da meditação na saúde em geral. (Ferreira et als). Enfim há crescente acúmulo de evi-dências sobre a relação entre a espi-ritualidade /religiosidade e saúde físi-ca e mental.
Referências: Revista Brasileira de Cardiologia. 2011;24(1)55-57 – Multitemas, Campo Grande, MS, v 22,n.51,p.7-21,jan./jun.2017.