E por falar em ser escolhido
Não é o mesmo, que escolher. Quando escolhemos temos uma falsa sensação da reciprocidade e justamente aí reside o engano. Ao escolhido, basta o aceitar ou fingir aceitar por falta de opção ou mesmo autoestima. Aceita o que é de graça, sem esforço, procura ou até mesmo buscando no outro o que lhe falta. “Mal acompanhado do que só”, pode até servir para uma festa, umas férias, carnaval, mas nunca em uma relação que se pretende prolongar. A frustação atinge os dois. A comodidade em ser escolhido, por natureza, beneficia mais ao homem que a mulher. Qualquer relação duradoura e prazerosa com alto índice de cumplicidade e compromisso a escolha partiu da mulher para o homem escolhido. Forçar a barra para ter o amor de uma mulher aceitando toda sua indiferença inicial, que ao incauto busca justificar para sua cegueira mental o levará a toda uma vida de mentiras para si mesmo, onde estará buscando sempre justificar-se ou ignorar o óbvio… até que. A falta de opção de um e a comodidade do outro pode levar folgadamente uma relação a uma boda de ouro, ao menos que a pessoa escolhida se negue aprender com o outro, a amar. Sobram motivos para o desamor quando escolhe, imagine ao ser escolhido.