Saúde mental e envelhecimento: manter o cérebro ativo também é forma de cuidado
O aumento da expectativa de vida traz consigo um desafio cada vez mais importante: pensar o envelhecimento não apenas como passagem do tempo, mas como uma etapa que exige cuidado com o corpo, com as emoções e, de forma muito especial, com o cérebro. Falar de saúde mental na maturidade é reconhecer que envelhecer bem envolve preservar autonomia, vínculos, memória, atenção e qualidade de vida. É comum ouvir que “o cérebro é como um músculo”. A comparação não é literal, já que o cérebro é um órgão, mas ajuda a compreender uma verdade importante: ele precisa ser estimulado. O cérebro possui capacidade de adaptação ao longo da vida e responde aos desafios que lhe são apresentados. Isso significa que aprender, conversar, ler, jogar, resolver problemas, recordar histórias e participar de atividades significativas são formas de mantê-lo em funcionamento e de fortalecer habilidades cognitivas e emocionais. A ciência tem mostrado que a saúde mental é um dos pilares do envelhecimento saudável e a Organização Mundial da Saúde alerta que os transtornos mentais entre pessoas idosas são frequentes e que fatores como solidão, isolamento social, depressão e perda de autonomia impactam diretamente a qualidade de vida. Por isso, o cuidado com a mente não pode ser visto como algo secundário: ele faz parte da promoção da saúde de forma integral. Nesse contexto, manter o cérebro ativo ganha um papel central. E isso não significa apenas fazer “exercícios de memória”. Significa viver experiências que mobilizem atenção, linguagem, raciocínio, criatividade, planejamento, convivência e prazer. A estimulação cognitiva pode acontecer em práticas simples do cotidiano, mas também em propostas estruturadas, especialmente quando realizadas em grupo e com mediação adequada. As atividades lúdicas têm se mostrado recursos valiosos nesse processo. Jogos de tabuleiro, cartas, palavras cruzadas, quebra-cabeças, desafios de lógica, oficinas de memória e dinâmicas em grupo estimulam diferentes funções cerebrais, como atenção, memória, flexibilidade mental, tomada de decisão e resolução de problemas. Além disso, favorecem algo essencial para a saúde mental: o encontro com o outro, o riso, a troca de experiências e o sentimento de pertencimento. É importante dizer que não existe fórmula mágica. Nenhum jogo, isoladamente, “impede” o envelhecimento cerebral ou previne sozinho doenças como as demências. No entanto, estudos apontam que um estilo de vida cognitivamente ativo, associado à prática de atividade física, controle de fatores de risco cardiovasculares, sono adequado, alimentação equilibrada e convivência social, contribui para a manutenção da saúde do cérebro e para a chamada reserva cognitiva que é a capacidade que o cérebro desenvolve para lidar melhor com perdas e desafios ao longo da vida. Cuidar da saúde mental no envelhecimento, portanto, é ampliar o olhar. É entender que memória, humor, atenção, disposição e autonomia estão interligados. É perceber que o cérebro precisa de estímulo, mas também de afeto, rotina, descanso, movimento e sentido de vida. É com esse entendimento que a parceria entre neurologia e educação se torna especialmente promissora. Ao unir conhecimento clínico e práticas pedagógicas, abre-se espaço para ações que promovam saúde, prevenção e qualidade de vida de forma acessível e humanizada. Em Itaúna, essa proposta nasce da parceria com a educadora Zaira Bernardes no Projeto “Brincadeira é Coisa Séria” que apresentarei com mais detalhes em breve e tem o propósito de oferecer atividades de estimulação cognitiva e convivência, valorizando o envelhecimento ativo e mostrando que cuidar da mente é, também, uma forma de cuidar da vida.
Dra. Marina Teles
Medicina Psiquiátrica e Neuro-modulação
Contato: [31] 99643-6316
Zaira Bernardes
Designer e Educadora
Contato: [31] 99420-5539