E por falar do suficiente
A insatisfação é a cara da insuficiência, o que se nota na constante queixa de tudo e todos ao redor.
Bastaria dizer basta, mudar a queixa por gratidão, sentir-se pleno com o que é, com o que tem, porém, o costume que virou hábito se tornou identidade, ser possuído por algo alheio que se nega “ser” apenas humano.
Suficiente poderia ser apenas estar vivo, como é grátis, não se valoriza, não sente, como o respirar ou poder interagir com o outro.
O hoje parece tornar-se enfadonho se acaso nada falta, se acaso falta de tudo, como se lá fosse melhor que aqui, o antes melhor que agora; costuma-se juntar o depois como se o hoje fosse eterno.
Não há nada mais depois do espelho, cada qual cria sua própria narrativa onde talvez a única realidade válida seja a de viver com o que se considera suficiente sem molestar aos outros com suas carências e insatisfações diárias.
Um basta, afinal ser educado, saudável, é suficiente para uma vida diária plena.
Há vida além do umbigo.