Quando o remédio falha
Durante muito tempo, o tratamento em saúde mental foi associado principalmente ao uso de medicamentos. Eles seguem sendo fundamentais e, em muitos casos, transformadores. No entanto, uma questão que observo cada vez mais presente na prática clínica: o que fazer quando a resposta não vem como esperado?
Venho há algum tempo estudando e me especializando em técnicas contemporâneas dentro da psiquiatria e no dia a dia do consultório, observo que cerca de 30% dos pacientes com depressão não apresentam resposta adequada ao primeiro tratamento medicamentoso ou, ainda, não respondem às diversas terapêuticas farmacológicas escalonadas e aplicáveis a seu contexto clínico. Esse cenário, por si só, já desloca a ideia de que existe uma solução única para o sofrimento psíquico.
Ao mesmo tempo, vivemos em um contexto de sobrecarga emocional constante. Excesso de estímulos, pressão por desempenho e instabilidade nas relações tornam os quadros mais complexos e, muitas vezes, menos responsivos a abordagens isoladas.
É nesse ponto que a condução clínica precisa mudar o eixo. Não se trata apenas de ajustar doses ou trocar medicações, mas de reorganizar o raciocínio terapêutico. Psicoterapia, sono, estilo de vida e, em alguns casos, técnicas de neuromodulação passam a ocupar um lugar mais estruturante no cuidado.
A neuromodulação, em especial, vem se consolidando como uma alternativa segura e baseada em evidências para casos selecionados, ampliando possibilidades quando os caminhos tradicionais não foram suficientes. Trata-se de uma mudança cada dia mais consistente na forma como nós, médicos da saúde mental compreendemos e abordamos o sofrimento psíquico e que, aos poucos, começa a se aproximar da minha prática clínica cotidiana.
Dra. Marina Teles
Psiquiatria
CRM 109.555
Clínica Plenittude
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