O stress ou estresse e o coração Parte 1
Os problemas mentais que se acompanham de dor, prazer, esperança ou medo, causam uma agitação que influencia o coração” William Harvey (1623)
O estresse ou stress é uma reação de nosso organismo quando se sente ameaçado, e em resposta ele libera substâncias químicas ocorrendo várias reações ou seja “é um conjunto de respostas fisiológicas e comportamentais a determinada situação, visando a proteção e adaptação do nosso corpo.” A saúde mental se refere ao bem-estar físico, mental e social em que o ser humano consegue desenvolver habilidades a fim de lidar com a pressão do cotidiano e contribuir para a sociedade (OMS, 1946). Para se reconhecer que você está estressado não é tão fácil, uma vez que não existe um exame específico, mas sensações como coração acelerado ou falhando, elevação da pressão arterial, irritação, medo, respiração curta, entre outros sintomas. Enfim se o estresse se tornar crônico ele pode contribuir para o surgimento e agravamento de doenças como a hipertensão arterial e doença das artérias coronárias, entre outras, enfim ele é um dos fatores de risco importante na saúde do coração. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou que dois quintos dos brasileiros relatam níveis alarmantes de estresse no cotidiano (Brasil, 2024). De acordo com os estudos vale a pena ressaltar mais uma vez que as doenças do coração e circulação são as maiores causadoras de morte, internações e que mais de 17 milhões de pessoas vieram a óbito em consequência destas doenças no mundo, e de acordo com o Ministério da Saúde, 300 mil pessoas falecem anualmente por estas doenças em nosso pais (SBC, 2024). O estudo de Hans Selye sobre o estresse propôs a Síndrome de Adaptação Geral (SAG), com três estágios diferentes de resposta ao estresse: a reação de alarme, fase de resistência e fase de exaustão, cada fase envolvendo respostas fisiológicas e comportamentais. A reação de alarme é desencadeada quando o organismo percebe uma ameaça e elabora uma resposta rápida, pelo sistema nervoso simpático.
Na fase de resistência, a prioridade do organismo é manter a homeostase ou o equilíbrio, permitindo adaptação a situações estressantes, porém se o estímulo estressante persistir e as medidas de controle não forem eficazes, o organismo pode entrar na fase de exaustão, a qual leva uma resposta crônica do organismo, com deterioração física e psicológica. (Boff; Oliveira 2021). Essa reação pode levar a uma série de problemas secundários ao coração como aumento da pressão arterial, risco aumentado de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral entre outros. (Drumond et al.. 2023). Você sabia que a expressão “morreu de raiva “é verdadeira?Pois é, em pessoas com doença das artérias coronárias e já com algum grau de obstrução, episódios de estresse podem levar a redução do calibre dos vasos coronarianos e consequentemente ao infarto do miocárdio, alterações do ritmo cardíaco ou arritmias e acidente vascular cerebral. O que acontece em situações de estresse é a liberação pelo nosso organismo de substâncias como as catecolaminas e cortisol que elevam a frequência cardíaca, pressão arterial, redução do calibre dos vasos e processos inflamatórios e se persistirem cronicamente levam a fase de exaustão da Síndrome de Adaptação Geral ou SAG, por esta razão o tratamento do estresse através de terapias, práticas mente-corpo e exercícios físicos são essências na prevenção e tratamento do estresse , como veremos na próxima edição deste jornal.
Referências:
Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v8, n3.p. 01-19, may/ jun. ,2025.
O estresse psicológico e o coração, Arquivos Brasileiros de Cardiologia, volume 60, número 04, 1993.
Obrigado Dr. Élvio por estas reflexões tão profundas sobre o estresse, pois somente com o amadurecimento a gente compreende como manejar os desafios do quotidiano.