Fui Ali
Fui ali! Amei a resposta, quando perguntei para uma pessoa muito querida para onde ela tinha viajado nas férias. Ri e me diverti com a resposta, que mostrou o atrevimento da minha pergunta, por uma excessiva curiosidade desnecessária ou pelo desejo de estender o assunto e a presença dela. Respondi que ali era muito bom. E, de verdade, é.
Eu gosto de ir ali, porque ali não é muito longe, mas é ir. Significa que não se demora muito para chegar, que a ida é leve e divertida. Não gosto mais de quicar em aeroportos mundo afora. Gosto do ali, porque chega mais rápido, não me estressa nem cansa, não tenho repetidas paradas, nem embarques, desembarques, conexões. O ali é prático, é estar em descanso mais depressa, é desfrutar de um dia a mais sem gastar tempo excessivo no deslocamento.
Ali pode ter praias, cachoeiras, bons restaurantes, museus, bibliotecas, parques… Ali tem tudo, sombra e água fresca, luz do sol, dias plúmbeos… Amo ali! Amo a praticidade de carregar pouca coisa, de ninguém me conhecer, de andar descalça no ali de tantos sonhos. No ali, sinto que as noites são bem dormidas, que não me preocupo. Compreendo que gosto das chegadas rápidas. Não admiro o percurso, gosto do finalmente. E, finalmente, ali está o ali, de um jeito despretensioso. Cheio de formosura, o ali se apresenta, tem gosto de bebida quentinha no inverno e de bebida geladinha no verão, tem o sabor da minha pressa na infância. Este desejo de chegar que retorna em mim.
Fui ali, não sei ainda se volto já ou se levarei alguns dias, sei que não precisei estudar roteiros nem planejar muito. Me vesti de mim mesma e fui. Até a volta, se Deus quiser.