Ele nos fala

Observo que vagueio pela casa nesta manhã de sábado. O sol me convida para a piscina, o banco da frente para uma boa leitura, o livro em cima da mesa para uma manhã de estudo, os pensamentos me chamam para o computador… Tenho opções e vagueio feito adolescente sem rumo. Olho para o mundo que me cerca neste pedaço de terra. Sinto que sou muito rica quando contemplo as florezinhas no jardim da frente de casa. Tenho jardins floridos que enriquecem o meu viver. Vivo cercada por flores, plantas, livros e tenho o silêncio necessário para sentir. E tenho riqueza de pensamentos, de tão sortidos. Penso na relevância que damos a nós mesmos, no quanto nos sentimos importantes nas situações e lugares que ocupamos, quando, na verdade, somos tão pequenos, soltos neste universo enorme, com tantas estrelas, planetas, criações, seres humanos, nos julgamos às vezes, melhores. Quanto somos inocentes! Cada um de nós carrega o peso ou a leveza de sua missão, dependendo da maneira como a enxerga. Tendemos ao exagero ao exprimir nossas dores, valorizando ao extremo o que enfrentamos. E no calar de todos nós não temos conhecimento da exata dimensão da dor dos outros. Mostramos em fotos as nossas delícias e somos gratos por elas não revelarem a face da nossa alma.
Soltos no universo, à mercê do nosso livre arbítrio, nem sempre revestido de bom senso, estamos. Livre arbítrio que, tantas vezes, desrespeita, magoa, fere a integridade de pessoas que nos cercam. Livre arbítrio que traz escolhas infelizes, desperdiça amores, esgota o tempo em banalidades… Pobres de nós! Pobres porque nos julgamos importantes demais. Queremos os primeiros lugares, o melhor pedaço, tudo a nosso favor, os privilégios, os aplausos… Abraçamos a nossa autossuficiência como se ela fosse nossa maior riqueza, quando na verdade ela nos arruína. Escondemos fragilidades, vulnerabilidades como se fôssemos super-heróis isentos de sofrimentos. E até nossas pequenas falhas se tornam grandes de tanta importância que creditamos aos nossos acertos. Pobres de nós! Cultivamos dúvidas enormes, infundadas por desconhecer que no silêncio de nosso interior temos todas as respostas. Ele nos fala.