E por falar em censura
Qualquer passo de aproximação com a consciência pessoal causa imediatamente um profundo mal-estar. A constante negação à existência do outro, a consciência e forma de entender um momento ou uma vida diferente nada mais é do que uma forma de inconsciente de censura.
Estamos acostumados a perceber os ditadores apenas através dos olhos e ouvidos alheios, assim como os santos politicamente domados.
É fascinante perceber o quanto é fácil entender e aceitar o que todos aceitam, e o quanto é difícil aceitar aqueles que se negam a aceitar a narrativa estabelecida.
Parece ser que tudo aquilo que leva uma pessoa a pensar está na lista negra da censura; não da censura governamental, porque somente esta parece ser reconhecida como tal, não se leva em conta o que pode ser censurado diariamente pelo simples fato do outro ser o que é, por não conseguir ser o que queremos que seja, que pense e faça, porque pensamos que somos capazes de pensar e fazer… na mesma situação.
Das censuras, a mais cruel é ignorar a causa do mal-estar. Ninguém se sente incomodado por ouvir e ler algo a respeito do tempo, do outro, de tudo aquilo que não diz respeito a si mesmo.
Seria maravilhoso se fosse possível haver crescimento sem dor.
Pode ser que tudo isso apenas sirva para nada, pois a eternidade não existe dentro da racionalidade, assim que nos resta apenas o evitarmos estar incomodados com aqueles que pensam e agem diferentes a nós, e acima de tudo, capazes de serem eles mesmos, com suas rarezas.
“O problema não é ser diferente, o problema é viver temendo ser notado, pois a autenticidade não é fácil, mas é o único que vale a pena no final do dia”.
Para não ser notado e estar sujeito à censura basta ouvir e repetir o que todos aceitam, ou melhor, ignorar aquilo que é.
Comunistas são os outros…