E por falar de Blues, ou melhor, do que fica depois de uma traição
Quando pode sentar, parar de fugir, percebe o pior que tem passado.
A traição pode parecer em forma e meio de um fato especifico, seja que a outra pessoa tenha saído ou está saindo com outra ou simplesmente desistido da relação por incomodidade, desamor ou procura de novas experiências. Em qualquer caso pode causar sofrimento, mas de longe comparado ao pior que pode passar quando se olha trás e ver com claridade o quanto o outro aguentou fingindo estar bem, estando contigo.
Por conveniência, convivência, necessidade, falta de oportunidade, com consciência e intencionalidade conseguiu mentir e enganar o outro por qualquer espaço de tempo.
A impulsividade e inconsciência que sempre é apontada como responsável por uma traição realmente fica curta diante da intencionalidade em seguir convivendo com outra pessoa a espera de uma oportunidade para deixá-la.
Deve ser doloroso viver um processo de desamor estando com outra pessoa, uma angustiante experiência existencial, um constante retornar mesmo sem sentir, o que foi e o que poderá ser.
Ninguém que esteja feliz em uma relação é irritável, se não está feliz consigo mesmo, deveria estar, mesmo porque culpar ao outro por sentir-se infeliz é o primeiro passo para uma possível traição ou distanciamento dentro da relação.
Estar bem consigo mesmo e consequentemente com quem convives inevitavelmente afasta qualquer possibilidade de uma traição.
O amor é o que está dentro, o propósito é a embalagem, as paredes.