Contradições

Sou, neste momento, um poço de contradições. Habita em mim a tristeza de algumas incertezas e a esperança fervorosa de soluções felizes. Esses sentimentos trombam, se esbarram, um empurra o outro com mais força, se faz mais poderoso e eu oscilo entre a tristeza da incerteza e a alegria da esperança. Outros sentimentos se aproveitam do contexto e vão se apresentando, tentam se solidificar, tornarem-se intensos. Alguns eu consigo repelir. Outros, não. Parece que alguns desajustes antigos, de emoções incompletamente resolvidas, tentam vir à tona. Mas, consigo refletir e ver que tudo é pura vaidade.
Sou um poço de contradições, neste momento. Agradeço a Deus pela saúde presente em cada parte do meu corpo, mas lamento se sinto alguma dor em partes do corpo que estão envelhecendo. Percebo a necessidade de óculos de lentes mais fortes. Quero meus dentes vorazes e reluzentes e minha coragem mais firme a cada amanhecer. Mas, há amanheceres nos quais levanto com alguma dificuldade. Procuro pelo entusiasmo e o encontro na primeira olhada para o céu, esteja o dia nublado ou claro. Mas, confesso, amo o ofuscar do sol em meus olhos e ao dourar minha pele. Adoro dias azuis! Sou um poço de contradição ao desejar, ao mesmo tempo, companhia e silêncio, preciso dos dois. Preciso do barulho de conversas, mas desejo também momentos em que ouça apenas as batidas do meu coração. Não sei o que quero agora. Desejaria apenas estar leve e feliz, como em tantas vezes, estive. Com a cabeça aérea, isenta de preocupações e temores, desejaria estar. Procuro a minha fé, peço a Deus, ansiosamente, que a intensifique. Meu marido passa, e toca com a mão, levemente, meu ombro. E eu sorrio por dentro. Sou abraçada por sua solidariedade e presença.
Reflito sobre a tristeza deste momento, numa terça-feira de Carnaval. Carnaval e tristeza não combinam, alguém muito importante, ele, sempre presente, me disse. Verdade, mas não me alimento de datas festivas, mas da substância densa de significados cotidianos que estabeleço. Respeito a tristeza com a mesma intensidade com a qual respeito a alegria. Sei da importância de sua existência e das reflexões duras e concretas que me proporciona, das quais colho frutos, saborosos ou não. Mas, frutos! Penso nas metas que estabeleci para este ano, principalmente na primeira delas de ser mais transparente e clara na comunicação de meus sentimentos diários. Tenho cumprido, rindo e chorando, tenho cumprido. Neste momento, saudades alimentam a minha tristeza. Revivo os que partiram, que me fazem tanta falta. Sinto saudades, saudades de pessoas longe e perto de mim. Feito muitas mães, saboreio chegadas e sofro partidas. Quero eternizar momentos, e claro, não consigo.
Tantas coisas fogem ao nosso controle. Na nossa jornada pela vida, acontecem dificuldades, problemas ou sofrimentos que nos cabem resolver. E assim, basta arregaçar as mangas e agir. Mas, há outras situações que estão nas mãos de Deus. Às nossas mãos, incapazes de agir, resta se unirem em oração. E… vamos seguindo…