A superintendente da APAE Itaúna, Geórgia Mendonça recebe a Medalha Presidente Juscelino Kubitschek
A notável superintendente da APAE Itaúna Geórgia Mendonça recebeu no último dia 12 de setembro na cidade de Diamantina a Medalha Presidente Juscelino Kubitschek em reconhecimento ao seu trabalho incansável pela causa da pessoa com deficiência intelectual e múltipla.
A Medalha Juscelino Kubitschek foi criada pela Lei 11.902 de 05/09/1995, e desde 1996, é entregue a personalidades e instituições do cenário político, econômico, social e cultural de Minas e do país que contribuem para o desenvolvimento do Estado. A cerimônia é realizada anualmente no dia do aniversário do presidente, nascido em 12/09/1902 e na terra natal do ex-presidente da República Juscelino Kubitschek, honraria dedicada à memória e ao legado de JK.
Geórgia declarou – ”Essa história começou na maternidade atípica, na busca por tratamentos e caminhos para o André. Foi ali que nasceu a minha entrega, que se transformou em missão e me levou, há 15 anos, a lutar por uma causa muito maior do que eu mesma. No início enfrentei não só críticas, mas também uma transição de gestão desafiadora. Foram dias de dor e aprendizado, em que muitos não acreditavam que uma mulher jovem daria conta de administrar a APAE. Fui incompreendida, até chamada de louca. Mas a essência estava firme dentro de mim: o amor pela causa e a certeza de que essa bandeira precisava ser carregada com verdade. Ao receber a Medalha Presidente Juscelino Kubitschek, um filme passa na minha cabeça: desafios, lutas, dias difíceis, mas também conquistas, sorrisos e vidas transformadas. E lembro que o próprio JK foi chamado de sonhador e ousado — mas foi justamente essa coragem de acreditar no impossível que mudou a história do Brasil. Esse reconhecimento não é sobre mim. É sobre o André. Sobre todas as pessoas com deficiência. Sobre cada família que nunca desistiu. Sobre a equipe que se mantém ao lado da Associação e me ajuda nessa missão. É sobre quem caminha comigo todos os dias: Eduardo meu companheiro de vida; João Emmanuel, meu caçula, que me inspira a acreditar em um futuro melhor; e Taninha, nossa cuidadora do André, que se tornou parte da família com tanto amor e dedicação.
Ainda temos muita luta pela frente. As pessoas com deficiência ainda não são prioridade nas políticas públicas, nem recebem os investimentos que necessitam. Esse é o cenário que me preocupa e é por ele que eu luto, com fé de que um dia vai melhorar. Mas é preciso união e coragem coletiva. Essa medalha não é apenas uma honraria: ela simboliza a voz de quem muitas vezes não é ouvido. É coletiva, construída com muitas mãos e corações. Recebo com gratidão e com a certeza de que cada conquista é semente para um futuro mais inclusivo, humano e justo.

