Maria: 11 anos de um sonho que venceu tantos desafios
A história de Danielle Soares com a maternidade começou muito antes de segurar sua filha nos braços. Teve início com o diagnóstico de endometriose, condição que já conhecia quando se casou com Carlos Roberto Rodrigues da Silva, e com o sonho de um dia experimentar a alegria de ser mãe.
Seis anos após o casamento, o casal deu início à primeira tentativa de fertilização in vitro (FIV). Vieram anos de tratamentos, duas cirurgias e a retirada de um dos ovários em decorrência de um endometrioma. Foram muitas etapas, expectativas e desafios, até que, na terceira tentativa de fertilização, chegou o tão esperado resultado positivo. Maria estava a caminho!
A gestação transcorria bem até que, com 27 semanas, Danielle enfrentou uma das maiores batalhas de sua vida. Em consequência de aderências provocadas pela endometriose, sofreu uma ruptura intestinal e precisou passar por uma cirurgia de emergência. Foi necessária a utilização de uma bolsa de colostomia, dando início a dias difíceis, marcados por incertezas e preocupações.
Foram 76 dias de internação hospitalar. Maria nasceu com 36 semanas, após Danielle desenvolver uma infecção abdominal que evoluiu para septicemia. Mãe e filha precisaram ser encaminhadas ao Centro de Terapia Intensiva (CTI), e a pequena Maria permaneceu internada por 14 dias.
Quando finalmente puderam voltar para casa, um novo desafio se apresentou: a amamentação. Danielle não conseguia estabelecer o aleitamento materno da maneira como havia sonhado. Ainda estava com a bolsa de colostomia, emocionalmente fragilizada por tudo o que havia enfrentado, enquanto Maria também necessitava de cuidados especiais.
Foi em casa que começou, de fato, uma nova batalha: conseguir amamentar. Foram quase 30 dias de insistência, tentativas, dificuldades e muita persistência. Até que, pouco a pouco, mãe e filha conseguiram estabelecer o aleitamento materno, por meio da amamentação no peito e também com o complemento de fórmula oferecido na mamadeira. Não aconteceu exatamente como Danielle havia idealizado, mas da maneira possível para as duas naquele momento.
A amamentação passou a representar muito mais do que a alimentação de sua filha. Tornou-se uma oportunidade de conexão, de fortalecimento do vínculo e de viver uma experiência que, diante de tantos obstáculos, chegou a parecer distante.
Quando Maria completou cinco meses, Danielle precisou retornar ao hospital para realizar a cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal e retirada da bolsa de colostomia. Maria foi junto, e, mais uma vez, mãe e filha fizeram o possível para preservar a amamentação. Com dedicação e persistência, conseguiram manter o aleitamento materno misto, com peito e mamadeira, até os oito meses de vida da pequena.
No dia 23 de novembro, Maria Morena completa 11 anos. São onze anos de muitas alegrias, aprendizados, amor e gratidão. Danielle se considera uma mulher realizada e profundamente feliz por ter Maria como filha, um presente que chegou depois de uma longa caminhada de lutas e superações.
Em seu depoimento, Danielle conclui:
“Maria foi e continua sendo um milagre em nossas vidas! Hoje, ao olhar para trás, entendo que a maternidade nem sempre acontece como planejamos. Muitas vezes, a realidade é bem diferente daquela expectativa que construímos durante tantos anos. Existem caminhos difíceis, medos, frustrações e desafios que jamais imaginávamos enfrentar.
Mas também aprendi que o maternar é possível de muitas formas. Aprendi que não devemos desistir dos nossos sonhos, que precisamos buscar ajuda, contar com profissionais capacitados, aceitar o apoio de quem está ao nosso lado e, acima de tudo, manter a fé em Deus.
Talvez minha história também explique um pouco da profissional que me tornei. A maternidade transformou meu olhar sobre o cuidado, sobre as mulheres e sobre a amamentação. Hoje, como enfermeira e consultora em amamentação, carrego comigo não apenas o conhecimento profissional, mas também a experiência de quem já esteve do outro lado, de quem precisou de acolhimento, ajuda e esperança.
Se pudesse deixar uma mensagem para outras mulheres, seria esta: não desistam dos seus sonhos, não tenham medo de pedir ajuda e não se cobrem por uma maternidade perfeita. Cada história é única, cada mulher tem seu próprio caminho e cada experiência merece ser respeitada.
O meu sonho tem nome: Maria Morena. E há 11 anos Deus me presenteou com a oportunidade de chamá-la de filha.”







