Brasileiro ainda prefere os carros a combustão, aponta estudo
A transição energética nas garagens brasileiras perdeu fôlego nas intenções de compra. Um levantamento recente conduzido pela consultoria EY revela que o consumidor local recuou no desejo de abandonar os postos de combustível tradicionais. Entre os mil entrevistados ao longo de 2025, quase metade (49%) afirmou preferir a compra de carros a combustão, alimentados exclusivamente por gasolina, etanol ou diesel.
O cenário marca uma reviravolta expressiva em apenas dois anos. Em 2023, o mesmo Índice de Mobilidade do Consumidor mostrava que a fatia fiel aos motores tradicionais era de 35%. O recuo atingiu em cheio os modelos híbridos, cuja preferência despencou de 48% para 26% no período. Apenas as opções 100% elétricas mantiveram estabilidade, estagnadas na faixa dos 9%.
Falta de carregadores afasta potenciais compradores
A mudança de comportamento destoa do aquecimento nas concessionárias. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) contabilizou 223,9 mil eletrificados emplacados em 2025. O volume representa um salto de 138% frente a 2023 e indica que, embora a tecnologia esteja barateando, barreiras logísticas impedem uma adoção em massa. O gargalo estrutural lidera os temores de quem recusa as novas tecnologias.
A ausência de pontos de recarga em casa ou no trabalho liquida o interesse de 36% dos consumidores. Logo atrás, 33% dos motoristas apontam a escassez de estações públicas como entrave decisivo.
O peso no bolso também cobra a conta do mercado. O custo elevado de aquisição e a incerteza sobre os valores para substituição das baterias dividem o mesmo patamar de rejeição, amedrontando 28% do público.
Na outra ponta, o motorista que decide migrar para a tomada busca fugir da bomba de combustível. O peso dos derivados de petróleo no orçamento doméstico motiva 38% dos novos compradores de elétricos, percentual idêntico aos que justificam a troca por razões puramente ambientais.
Marcas europeias lideram preferência
O mapa de desejo automotivo no Brasil também mudou de coordenadas, segundo a pesquisa da EY. Montadoras chinesas ampliaram drasticamente sua presença no país. Puxado pela ofensiva comercial de BYD, GWM e Chery, o interesse por marcas do país asiático saltou de 16% para 24% no intervalo da pesquisa.
As fabricantes europeias consolidaram uma liderança folgada no imaginário do brasileiro, disparando de 51% para 76% na preferência do consumidor. Já as marcas asiáticas tradicionais viram sua popularidade cair de 68% para 59%, enquanto os emblemas dos Estados Unidos recuaram de 76% para 62%.