Mãos que oferecem rosas
No dia 06 de maio o Bairro Padre Eustáquio em Itaúna se tornou empobrecido com a partida para a pátria espiritual da querida moradora, Maria Alice de Faria Silva. Em sua rotina diária saía de casa logo cedinho e só retornava em torno das 10h para o preparo do almoço. Nesse período de ausência doméstica lá estava ela, a transitar pelas ruas do bairro, nos comércios, de terço no pescoço e nas mãos, abençoava todos com a sua forma cristã de viver e mais interessante ainda era que, ela adorava ofertar flores, se não as tivessem um raminho era suficiente. Luiz Parreiras era um desses prestigiados pela amizade de Maria Alice, era rara a semana que ela não o entrega uma flor e se não o encontrasse deixava na maçaneta da porta, logo já sabia, Maria Alice passou por aqui. Já no momento de sua despedida antes do seus sepultamento, Luiz Parreiras que raramente frequenta velórios lá esteve para levar flores para ela em gesto de retribuição, emocionado e para sua surpresa não foi o único a levar flores, pois sobre o corpo de Maria Alice foram depositadas dezenas de flores, que não eram as colocadas pela funerária, não eram as caras coroas, mas sim de pessoas simples, pois tinham buquês, ramalhetes, botões, flores do campo, flores simples mas que guardavam um grande significado, pessoas simples e anônimas que também foram retribuir o bem que receberam naquelas manhãs em que Maria Alice dedicava a entregar flores a quem cruzasse o seu caminho. Nos últimos quatro meses as ruas do bairro não eram as mesmas, faltava a presença de uma mulher de sorriso largo e de sentimento generoso a espalhar flores. Ela esteve recolhida nesses últimos 120 dias se preparando para a volta para o lar de onde viemos e para onde voltaremos todos, pois nesse mundo somos todos viajantes desse tempo e lugar. E sua filha a Irmã Terezinha relatou que ao último suspiro sorriu e momentos antes disse, Nossa Senhora está vindo me buscar, assim veio, assim se foi. Terminamos essa nossa homenagem com essa música que muito lembra Maria Alice, que despedimos com um até breve.
Fica sempre, um pouco de perfume
nas mãos que oferecem rosas
nas mãos que sabem ser generosas
Dar do pouco que se tem
ao que tem menos ainda
enriquece o doador,
faz sua alma ainda mais linda
Dar ao próximo alegria,
parece coisa tão singela
aos olhos de Deus, porém,
é das artes a mais bela
Fica o nosso sentimento aos familiares, o viúvo, Pedro José, aos filhos Marcelo, Irmã Terezinha e Micheline e aos netos André e Thiago, estes que tiveram a grata felicidade de ter alguém tão especial, que puderam chamar de esposa, mãe e avó.