E por falar em estar só
Sempre haverá uma necessária sensação de estar acompanhado por alguém ou algo extraterrestre para sentir-se bem. Esta dependência pode impedir por uma vida um despertar mental capaz de cortar pela raiz este incomodo sentimento de orfandade.
A inútil tentativa de preencher este vazio existencial é proporcional à facilidade adquirida em conseguir substitutos, pessoas e coisas. Definitivamente é preciso entender e procurar tomar distancia desta letal dependência, começando por ignorar comparações com outras pessoas e tempos, pois, somos criadores de todas imagens e emoções percebidas no presente.
Nenhuma presença pode substituir um vazio, preencher um vazio, romper a roupagem do eu sou, se não houver alguém em casa, se não foi capaz de chegar primeiro, sentir-se completo e ser capaz de receber o visitante.
Nunca estará sozinho se transcende esta dependência de distrair-se de si mesmo, porque encontrar-se é encontrar ao outro, é permitir que o outro lhe encontre.
Não obstante, esta transcendência somente pode acontecer na medida que um esteja disposto a estar em frente ao espelho e começar a gostar do que vê, a gostar do que sente, a gostar de viver.
Assim de simples.