E por falar em liberdade
O último nó a ser desatado é a necessidade de ser amado, notado, visto. A construção da personalidade necessária para relacionar-se com o meio social em que vive dá uma enganosa sensação de liberdade, de aceitação e por que não, de sentir-se querido. Não obstante, este sentir-se integrado tem o custo de uma condicionalidade difícil de administrar, porque não mais vale as birras e choros, ficar de mal, e, tantas outras neuroses nossas do dia a dia; condicionalidade esta que parece que a única coisa em comum é o desejo de destacar, de ser único. As instituições parecem não colaborar com este desejo, pois estabelecem o comum para todos, da religião à educação, da roupa ao corte de cabelo, da honestidade ao levar vantagem. Os espelhos devem ser rompidos, assim como o desprezo pelos despertadores, porque ao final de tudo, se pode ter alegrias na ignorância. Os medos perdem importância ao ignorar o dano causado pela competitividade, pelo afã em procurar sentir-se diferente, único. Parece ser que viver, para lá para a maioria não basta, necessita de um angustiante e estressante desejo de se fazer notar, de sentir-se amados, porque não aprenderam a amar a si mesmos, condição primeira para sentir-se livre. A liberdade é aceitar a si mesmo, esperar que outro lhe aceite é prisão.