Jornal Social

Caridade-ou-vaidade

Caridade é uma burla maneira de si salvar da maldade nossa do dia-a-dia.
Usamos como um confessionário que, em vez de usar orações como moeda de troca de nossos ”pecados”, pagamos com aquilo que nos sobra.
Parece que a intenção não funciona nos dois casos, pois são apenas tentativas de fugas frustradas. A não eficácia de tentar sair do mal-estar diário diante de uma confissão, de uma intencionada caridade ou até mesmo de uma terapia poderia ser evitado.
O descuido é tal que o resultado poderia ser identificado como uma ”diarreia mental” diária, que nenhuma terapia, confissão ou caridade é capaz de curá-la.
A qualidade do que entra determina a qualidade do que se torna. A contaminação poderia ser evitada se, e somente com a atenção do procurar sentir bem fosse considerada como algo vital em nossas ações e intenções diárias.
Não tem porque justificar ser bom internamente, não interagimos com paleontólogos, a superfície deixa claro. Não tem porque confessar, tentar redimir com uma promessa, uma esmola, uma terapia, basta aprender a notar o sentir-se bem, fazendo o bem.
Não é comum insistir em comer algo que nos faz mal, é comum insistir em fazer o que nos faz mal, e passa, porque não estamos acostumados a sentirmos responsáveis por nossos mal-estares, quase sempre, sendo gentil e compassivo, acostumados a procurar nos culpáveis fora, com o tempo, educação, meio ambiente, religião, buscamos a serpente e ela não nos faz caso.
Então buscamos algo para fugir de nosso constante mal-estar.
Algo que não seja um espelho.
Insistimos em crer nos demônios.
Afinal nos sobra santidade.

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