E por falar em noite
Night sky with stars and clouds shot.
Todavia não são sete horas e tudo começa a tomar forma, adiantando ao sol no horizonte.
No inverno, o verão parecia distante e suportável, mas com quarenta graus na sombra mais parece o inferno de Dante.
Nada que um ar condicionado não solucione ou amenize, falta apenas um aparelho que diminua um pouco o dia, ao sol que desacelera o tempo parecendo sentir prazer em prolongar seu desfile até as vinte e duas horas, impedindo aos feios a saírem de suas tocas em busca de um acasalamento.
É impossível amar durante o dia, pois a razão é pura clareza deixando as sombras descobertas, esconde o lú-dico e deixa o amor fora do contexto.
É por estas e outras que a noite traz consigo a possibilidade de soltar fo-gos de artifício, emoções, e porque não, estrelas, lençóis e os feromônios necessários para socializar-se.
Na noite, toda entidade se transforma em sombras, o objeto deixa sua im-portância, assim como a razão.
Ninguém se apaixona durante o dia, é coisa da noite, e se acaso acon-tecer é como a lua que segue pálida no amanhecer, não se nota.
A paixão é coisa da noite, a noite não termina, começa, não é morte, é vida, descanso para um novo dia ou início de uma nova vida.
Pergunto a lua se estou equivocado.